Alexandre Barros conta detalhes da queda e recuperação
Alex Barros conta sobre porque e como caiu, o que pretende fazer, e como está sendo a recuperação dos ferimentos.
Oi pessoal,
Cheguei na terça ao Brasil e vou ficar por aqui duas semanas descansando e me recuperando da queda da última etapa, na França.Final de semana difícil, devo acrescentar.
Na sexta feira consegui andar bem, estava tranqüilo porque o acerto básico da moto estava muito bom. No treino da tarde só consegui dar 10 voltas com a pista seca, logo começou a chover e não conseguimos trabalhar direito. Esse chove não molha, depois chove e molha atrapalhou todo o nosso trabalho. No primeiro treino livre a moto se comportava de uma forma e no sábado tudo ficou diferente. Tentamos várias modificações, meus tempos até melhoraram, mas não o suficiente para me classificar bem. Na 26ª volta até cheguei a fazer um bom tempo, na casa dos 33s6, mas como foi a volta que entrei nos boxes, ela não foi considerada como volta completa. Se tivesse cruzado a linha de chegada poderia ter feito um tempo melhor e largar mais à frente no grid. Meu descontento começou aí.
No domingo o warm up foi com pista molhada e a corrida com pista seca. O acerto da moto foi um tiro no escuro. Optamos por usar o mesmo composto de pneus que o Valentino usou, mas em motos diferentes os pneus se comportam de formas diferentes também, e a minha tinha pouca aderência na traseira.
A verdade é que eu estava inconformado com a minha posição no grid, estava pronto para fazer uma boa largada e arrepiar na primeira volta – e foi o que eu fiz. Larguei bem, pela primeira vez este ano, e coloquei minha estratégia em jogo. Eu sabia que estaria arriscando alto, mas não tinha outra opção. Eu tinha pouca tração no pneu traseiro e depois que passei o Nakano e tinha o Max e o Melandri na mira, acabei exagerando, e o erro de não aceitar a situação me custou caro. A traseira saiu e a moto me jogou por cima dela. Este tipo de queda é a pior. Voei, cai de costas no chão e bati a cabeça. Juntando a dor nas costelas sobrou pouca coisa que não dói quando me mexo.
Ainda estou remoendo o tombo, não pela dor física que sinto, mas pela dor psicológica de saber que não deveria ter sido daquela forma, eu deveria ter sido menos inconformado. Fico nervoso só de pensar no campeonato por isso agora é corrida a corrida, e vencer é meu principal objetivo. O resto é conseqüência. Eu deveria ter aceitado a situação dentro de mim e vou trabalhar isso daqui para frente. Tenho meus objetivos, mas um passo de cada vez.
Gente, deixa eu correr agora porque estou indo assistir o Darth Vader com o meu filho e se não me apressar vou perder o inicio do filme.
Um abraço a todos. Fiquem com Deus e até semana que vem,
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