RADARES: Como o Governo do Distrito Federal criou uma grande fábrica de dinheiro.
Saiba o que são os radares maliciosos e entenda as 10 evidências de malícia.
Se algum motorista está de acordo com a forma como a fiscalização eletrônica funciona no DF, ou é muito distraído ou faz parte dos grupos que estão lucrando com isso.
Há vários equívocos, problemas e distorções no uso que o poder público está fazendo dos radares de trânsito. Mas aqui basta mostrar apenas um desses problemas, que é seu caráter malicioso.
Não é necessário teorizar nem discutir, é só observar os fatos.
AS DEZ EVIDÊNCIAS DE MALÍCIA
1) Os radares do DF são maliciosos porque, incompreensivelmente, muitos foram instalados em substituição às barreiras eletrônicas, que eram muito mais lógicas, honestas e eficazes.
2) Os radares do DF são maliciosos porque o Detran reduziu a duração do sinal amarelo em muitos semáforos assim que o radar foi instalado nesses mesmos cruzamentos. Dá pra entender a cilada em que o motorista se mete quando o cruzamento tem radar e o sinal amarelo fica mais curto?? Depois de muito tempo, sob o questionamento de alguns, o ciclo do amarelo em alguns semáforos voltou quase ao normal, mas deveria ser mais longo.
3) Os radares do DF são maliciosos porque os limites de velocidade das avenidas são alterados em função dos radares. Em muitos lugares, o limite sempre foi 70 ou 80 km/h. Entretanto, ao instalarem os radares, o Detran reduz imediatamente os limites, como aconteceu no Eixo Monumental, que é a avenida mais larga do mundo com seis faixas em cada pistae praticamente sem cruzamentos. Mas depois dos radares, o Detran passou a achar que ali não se pode trafegar a mais de 60 km/h. Ou seja, o mesmo limite que vale para as estreitas e confusas avenidas comerciais do Plano Piloto e de Taguatinga vale também para o Eixo Monumental !!!!!! Aí tem malícia ou não tem ?
4) Os radares do DF são maliciosos porque não estão concentrados nas áreas de alto risco de acidentes, mas sim nas áreas de intensa circulação de veículos de classes média e alta. Quem tem dúvidas disso, vá até a periferia, veja quantos radares existem na perigosíssima via que liga Taguatinga a Águas Lindas de Goiás (na continuação da Estrutural), veja quantos radares existem nas temidas vias rápidas das grandes cidades-satélites. Coincidentemente, essas satélites são redutos eleitorais do governador que instalou os radares (se houver algum radar por lá, certamente é só “pra inglês ver”, ou está desativado ou em eterna manutenção). Quem tem dúvida, lembre-se que existem pontos de elevada incidência de acidentes ainda sem radar. É claro, pois o verdadeiro objetivo não é a segurança, mas a arrecadação. Do contrário, como explicar que no Eixo Rodoviário (eixão), ali nos pontos mais críticos – que sempre foram as lombadas situadas perto das duas extremidades do túnel sob a estação rodoviária – aqueles radares foram quase os últimos a serem instalados no Distrito Federal ??
5) Os radares do DF são maliciosos porque se tornaram prioridade absoluta das autoridades do DF, acima de outras pautas mais importantes para o cidadão e para o trânsito. Existe muita atenção do poder público para os novos radares, muitos gastos com isso, centenas de equipamentos moderníssimos, enquanto os buracos nas ruas nunca têm solução, ninguém impede as carrocinhas nas avenidas, não há competência para acabar com os cavalos soltos nas avenidas, a sinalização do trânsito não tem manutenção, a guerra das Vans corre solta nas avenidas movimentadas, o transporte público está cada vez mais podre... Mas a prioridade do GDF é instalar radares !!!!
6) Os radares do DF são maliciosos porque estão sendo instalados em cruzamentos onde os semáforos são falhos, deficientes e mal posicionados. Em algumas esquinas o motorista não vê o semáforo se estiver atrás de um ônibus ou caminhão-baú. Em outros, dependendo da posição do sol, é impossível perceber se o sinal está aberto ou fechado. Para citar um único exemplo: tente transitar pela avenida L-3 no final da tarde, em dia de sol. Vá no sentido Asa Norte-Setor de Clubes.Norte. No cruzamento com a avenida L-2 tem um semáforo velho, precário e mal posicionado, com as lentes expostas ao sol da tarde. Passe ali entre 17 e 18 horas e veja se é possível perceber qual das cores está acesa. Ninguém corrigiu o problema até hoje, mas um conjunto de radares ultra-modernos foi instalado ali recentemente... e deve estar faturando rios de dinheiro com o inevitável embaraço dos motoristas... Outros semáforos conjugados com radar estão na mesma situação.
7) Os radares do DF são maliciosos porque, por lei, a arrecadação com multas deve ser aplicada na melhoria do trânsito. Quando havia bem menos pardais pela cidade, a arrecadação com multas já beirava os R$ 80 milhões por ano. Hoje é muito, muito mais. É dinheiro suficiente para manter campanhas educativas na TV, específicas para motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas, é dinheiro para manter sinalização sempre nova na cidade toda, para ter semáforos novos e modernos, para acabar com todos os pontos de estrangulamento do trânsito, para ter muitos estacionamentos gratuitos e seguros, enfim, para acabar com tudo de errado que existe no trânsito do DF. No entanto, você está vendo isso acontecer? Então, para onde estão indo tantos milhões arrecadados com as multas? São maliciosas ou não são ?
8) Os radares do DF são maliciosos porque, nas vias de duas pistas, geralmente os pares de radar não são instalados no mesmo ponto. Se os aparelhos estivessem ali para evitar acidentes, nas duas pistas os radares estariam no mesmo ponto. Mas em cada pista o radar está em um ponto distante do outro, quase sempre naquele trecho estratégico onde o carro tende a ganhar velocidade naturalmente... Esse tipo de malícia ocorre inclusive nas vias planas e outras onde os carros desenvolvem idêntica velocidade em qualquer uma das pistas. Então por que em cada uma delas o radar está em um ponto diferente?
9) Os radares do DF são maliciosos porque se concentram nos cruzamentos que já são controlados por semáforos. Certamente você já se viu em apuros quando o trânsito à sua frente pára subitamente no momento em que você vai cruzar uma esquina, pois nessa situação você pode ser flagrado pelo radar. Se você for multado e argumentar que não foi sua culpa, a resposta será “que você tinha de manter distância do carro da frente”. Muito bem. Então raciocine: a distância segura teria de ser no mínimo uns 30 metros. Imagine uma avenida com a W-3. Em cada cruzamento você deverá checar a distância do carro da frente, conferir seu velocímetro, grudar os olhos no semáforo e vigiar os pedestres apressados, sem se esquecer também de observar se algum carro nas faixas ao seu lado tem intenção de se adiantar para se interpor entre você e o carro da frente (porque nesse caso você perde a distância segura dos 30 metros). Uma cilada perfeita ! Mesmo sabendo disso, tente administrar todas essas variáveis em cada cruzamento. Conte com a sorte, porque é provável que não consiga controlar tudo isso ao mesmo tempo em todos os cruzamentos. O GDF aposta que você não consegue, mesmo rodando devagar e com cuidado. Tanto aposta, que está espalhando radares desnecessários em todos os cruzamentos...
10) Os radares do DF são maliciosos porque há claros indícios de critérios políticos na sua distribuição e localização. Se você duvida, dê uma volta pelo DF e observe. Observe os mais novos controladores de velocidade recentemente instalados no Lago Sul, Asa Sul, Asa Norte e outras áreas tipicamente de oposição ao governador (são radares semi-ocultos, de última geração, quase todos acintosamente localizados junto a semáforos). Depois vá até o Recanto das Emas, Gama, Taguatinga, Varjão, Pananoá e outras satélites onde o governador tem notórios redutos eleitorais (lá, os mais novos controladores de velocidade são as ostensivas “barreiras eletrônicas” ou “lombadas eletrônicas”, quase todas instaladas junto a quebra-molas. Dá pra entender ??!!! Para citar só dois exemplos: veja a barreira eletrônica em frente a Universidade Católica em Taguatinga e da via de acesso ao Gama, ambas acabaram de ser instaladas e estão junto a quebra-molas).
Como se tudo isso não bastasse, ainda tem a intransponível dificuldade para recorrer das multas eletrônicas. Sim, porque esses equipamentos também sofrem panes, acontecem falhas e você pode ser multado sem ter culpa (há vários relatos recentes de panes em semáforos, que provocaram a autuação indevida dos motoristas vítimas da momentânea falha no ciclo dos sinais vermelho/verde). Nesse caso, não adianta recorrer. Você não tem como provar que o radar o autuou porque a falha foi no semáforo e não em você. Mas as autoridades de trânsito insistem em afirmar que o sistema não falha. Tudo bem, a Usina Nuclear de Chernobyl falhou, um projeto da Nasa explodiu nos ares, o Pentágono falhou e as torres gêmeas desabaram. Mas os aparelhinhos do Detran-DF, ah... esses não falham nunca. Você tem de acreditar nisso !!!
Enfim, os radares do DF são maliciosos e continuarão assim porque, além de tudo, não existe cobrança da imprensa local nem mobilização conjunta na Câmara Distrital. A imprensa parece estar comprada. A última matéria sobre o assunto, publicada em abril/2005 por um grande jornal do DF, usou todos os argumentos possíveis para arrotar seu “amém” à situação. Boa parte do legislativo local também dá a impressão de ter sido bem negociada e comprometida com os interesses do governo. E nós, cidadãos e motoristas, não sabemos nos mobilizar, não temos tempo nem paciência para protestar, para exigir nossos direitos, para passar adiante esta mensagem e mandar cópia para autoridades e imprensa, nem para cobrar lisura, respeito e critérios técnicos do Poder Público... Pensando bem, talvez as multas sejam merecidas...
José Ricardo Zani
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